Eritema crônico migratório

eritema cronico migratorio

A doença de Lyme (eritema crônico migratório) é moléstia infectocontagiosa sistêmica, causada por espécies bacterianas pertencentes ao gênero Borrelia e transmitida pela picada de carrapatos do gênero Ixodes e, provavelmente, dos gêneros Amblyoma e Dermacentor.

As principais manifestações inicias do eritema crônico migratório são máculas ou pápulas eritematosas, que aumentam de tamanho, formando placas isoladas ou múltiplas, com bordas descontínuas e centro claro, cianótico e/ou descamativo, que se expande centrifugamente, podendo atingir grandes diâmetros.  Apesar do eritema crônico migratório poder manifestar-se em qualquer parte do tegumento, observa-se predominância nos membros inferiores e superiores e na face. Geralmente, o eritema crônico migratório é assintomático, mas prurido ou ardor pode ser referido, em alguns casos.
Dias ou semanas após o início das manifestações cutâneas, podem surgir novas lesões de eritema crônico migratório, resultantes da disseminação hematogênica ou linfática das espiroquetas. Essas lesões podem aparecer na vigência da lesão primária ou após o seu desaparecimento.

Além do eritema crônico migratório, outra manifestação cutânea importante da fase inicial é o linfocitoma cutâneo, também denominado linfadenose cutânea benigna ou linfocitoma cutis. Clinicamente, é caracterizado por nódulo ou placa eritematosa, única, de um a cinco centímetros de diâmetro, localizado, geralmente, na face, no pavilhão auricular, na bolsa escrotal ou na aréola mamária. O linfocitoma está frequentemente associado à infecção pelas B. afzelli e B. garinii.

Na fase aguda, ainda podem ocorrer manifestações sistêmicas, tais como astenia, artralgia, mialgia, rash cutâneo, adenopatia, esplenomegalia e sinais de irritação meníngea.

Steere e col., em 1989, classificaram a doença em três estágios:

 1º estágio ou fase aguda, com lesões predominantemente cutâneas;

2º estágio, no qual podem ocorrer manifestações articulares, neurológicas, cardíacas e oftalmológicas;

3º estágio, com quadros reumatológicos, neurológicos, oftalmológicos e cutâneos crônicos.

Referências

  • Melo, Itelvina Suriadakis de, Gadelha, Alcidarta dos Reis, & Ferreira, Luiz Carlos de Lima. (2003). Estudo histopatológico de casos de eritema crônico migratório diagnosticados em Manaus.
  • Santos, Mônica, Haddad Júnior, Vidal, Ribeiro-Rodrigues, Rodrigo, & Talhari, Sinésio. (2010). Borreliose de Lyme. Anais Brasileiros de Dermatologia85(6), 930-938.