Paracoccidioidomicose Cutânea

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A paracoccidioidomicose é a infecção fúngica sistêmica de maior prevalência no Brasil. É causada pelos fungos do “complexo” Paracoccidioides (P. brasiliensis; P. lutzii), que possuem caráter dimórfico térmico, apresentando-se na forma micelial quando livres, portanto, infectantes, e na forma leveduriforme quando inoculados no hospedeiro.

A lesão cutânea na paracoccidioidomicose tem origem da disseminação hematogênica do fungo, de lesão contígua preexistente ou, muito raramente, de inoculação do fungo diretamente na pele. Lesões originárias de disseminação hematogênica são predominantes e, em geral, múltiplas. Essas, de início em igual estádio evolutivo, com morfologia tipo papulopustulosa ou acneiforme, posteriormente evoluem para ulceradas ou ulcerovegetantes. Quando isoladas ou em pequeno número, as lesões tendem a ser de padrão vegetante ou vegetante-verrucoso e não exsudativas, como que a indicar melhor padrão de resposta imune do hospedeiro ou antigüidade da lesão. As que se originam por contigüidade à lesão preexistente ocorrem associadas às lesões mucosas vizinhas, associadas a gânglio abscedido ou a partir de osteomielite específica. Não é incomum que lesão mucosa do lábio inferior ou da mucosa jugal progrida para a região cutânea perioral. Menos freqüente é a evolução de lesão labial superior para a pele supralabial. Ao contrário do observado na tuberculose tipo escrofuloderma, a lesão ganglionar da paracoccidioidomicose ao fistulizar não cicatriza espontaneamente, permanecendo secretante, infiltrando a pele e ao regredir produz lesão residual inestética. Lesão cutânea seguindo-se a lesão óssea contígua é evento raro, mas pode ocorrer, até após biópsia de lesão óssea suspeita.

O diagnóstico pode ser obtido por métodos diretos, como exame a fresco (micológico direto), histopatológico e cultura, ou métodos indiretos, como detecção sorológica de anticorpos específicos anti-Paracoccidioides. Um dos principais testes utilizados no Brasil, incluindo no caso descrito, é a reação de imunodifusão dupla (IDD).

Referências

  • Marques, Silvio Alencar, Cortez, Daniela Barros, Lastória, Joel Carlos, Camargo, Rosangela M. Pires de, & Marques, Mariângela E. Alencar. (2007). Paracoccidioidomicose: freqüência, morfologia e patogênese de lesões tegumentares. Anais Brasileiros de Dermatologia82(5), 411-417.
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