Dermatopatologia.com - Doenças da Pele - Dermatologia


Registro FAQ
Usuário:
Senha:
Esqueceu a senha?


O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano. "Isaac Newton"
Dermatopatologia.com
Biópsias
- Embriologia
- Histologia

Histologia

 

     A pele é vital e o maior órgão do corpo humano, no adulto representa aproximadamente 16% do seu peso. Sua complexidade está associada aos vários tipos de tecidos presentes (epitelial, conectivo, nervoso, muscular e vascular). Há importante variação regional da sua espessura e da quantidade de anexos cutâneos, por exemplo, nas regiões palmoplantares é mais espessa e na face temos grande número de glândulas sebáceas. Podemos dividi-la em três camadas básicas que são a epiderme (mais superficial), a derme e a hipoderme (subcutâneo).

EPIDERME

     A epiderme é um epitélio estratificado (mais de uma camada de células), pavimentoso (células achatadas), queratinizado e avascular.
     A maioria das células (90%) são queratinócitos que durante seu processo de diferenciação formam células anucleadas e ricas em queratina na superfície da pele. Os 10% restantes são constituídos por melanócitos, células de Langerhans e de Merkel.
     Os queratinócitos são arranjados em camadas contínuas e assim distribuídos da derme para superfície: camada basal (camada simples), espinhosa (5-15 camadas), granulosa (1-3 camadas) e a córnea (5-10 camadas). Em algumas áreas do corpo (região palmoplantar) há uma camada adicional, o estrato lúcido, que se localiza entre a camada granulosa e a córnea. A epiderme também contém a parte superficial das glândulas sudoríparas (acrossiringio) e a dos folículos pilosos (acrotriquio).

Queratinócitos

     A morfologia dos queratinócitos varia conforme a camada que se localizam, na camada basal são colunares e cuboidais e apresentam grandes núcleos e citoplasmas basofílicos. Estão alinhados perpendicularmente na membrana basal e ancorados por estruturas especiais como os hemidesmossomos. Em circunstâncias normais o tempo de renovação epidérmica (queratinócitos) é de aproximadamente quatro semanas e as células da camada basal (células tronco) são as responsáveis pela regeneração da epiderme através da divisão mitótica.
     Os queratinócitos da camada espinhosa ou de malpighi são poligonais, de núcleos centrais, citoplasmas eosinofílicos com expansões que contém filamentos de queratina (tonofilamentos). Ocasionalmente também podem ocorrer mitoses na camada espinhosa, pois há ocasionais células mães.
     Na camada granulosa os queratinócitos apresentam-se achatados, com núcleo central e cheios de grânulos basófilos (queratohialinos). A espessura da camada granular em condições normais é proporcional à camada córnea.
     Finalmente, há uma camada de células de orientação horizontal com citoplasmas repletos de queratina, que formam o estrato córneo. Todas as camadas da epiderme mostram variações, mas o estrato córneo, em particular, pode variar de fino (locais de flexão) até espesso (palmas e plantas), onde inclusive observamos a camada lúcida que é constituída de uma delgada lâmina de células eosinofílicas e translúcidas.

Melanócitos

     São responsáveis pela síntese de melanina o principal pigmento da pele. Correspondem a cerca de 5% das células epidérmicas, localizam-se na camada basal e seus prolongamentos dendríticos transferem melanina para cerca de 36 queratinócitos. Há um melanócito para cada 4-10 queratinócito da camada basal. Há variação étnica da pigmentação que se deve a atividade do melanócito e não ao aumento do número destas células. Nas colorações de rotina (hematoxilina-eosina) os melanócitos aparecem na camada basal com núcleos basofílicos e citoplasmas claros, porém podem ser reconhecidos mais facilmente por colorações especiais que revelam melanina como a de Fontana-Masson ou por imunoistoquímica (anticorpos que reconhecem antígenos específicos) Melan-A, HMB-45 e S100.

Células de Langerhans

     São células móveis e dendríticas responsáveis pela imunovigilância cutânea. Têm a função de captar, processar e apresentar os antígenos aos linfócitos T. Representam 3-6% de todas as células epidérmicas. Contém um marcador citoplasmático específico, os grânulos de Birbeck, que se originam do processo de endocitose. Na microscopia de luz as células de Langerhans podem ser demonstradas por técnicas histoenzimáticas como a ATPase e especialmente pela imunoistoquímica através do marcador CD1a.

Células de Merkel

     Localizam-se na camada basal e unem-se aos queratinócitos por meio dos desmossomos. São mais freqüentes nos lábios e na pele das mãos e dos dedos.
     Parecem ser receptores táteis, pois estão freqüentemente em contato com axônios sensoriais da derme através das suas junções de sinapse.
     Podem ser facilmente reconhecidos na microscopia eletrônica pela presença de grânulos citoplasmáticos neurossecretores. Também podem ser evidenciados pela coloração especial de Uranafina e pela imunoistoquímica através dos seguinte marcadores: Citoqueratina Nº 20 (CK20), enolase neurônio específica, cromogranina, sinaptofisina e moléculas de adesão de células neurais (N-CAM).

Elementos de adesão intercelulares

     São três os elementos principais que permitem a adesão de uma célula a outra: Citoqueratinas, Tonofibrilas e os Desmossomos.
     As Citoqueratinas são proteinas sintetizadas pelos queratinócitos que vão se acumulando gradualmente no interior das células até a camada córnea. São essenciais na formação do citoesqueleto e dos desmossomos. A medida que o queratinócito se desenvolve outros tipos de citoqueratinas passam a ser formadas, por exemplo, na camada granulosa as citoqueratinas 1, 10, 6 e 16 e na camada espinhosa as citoqueratinas 5, 14 e 6b.
     O Desmossomo ou mácula de adesão é uma estrutura complexa intracelular em forma de disco que é sobreposta a uma estrutura idêntica na célula adjacente. Proporcionam coesão intercelular por meio de atração eletrostática. A placa do desmossomo é constituída por várias cadeias protéicas (desmoplaquina e placoglobina) na qual estão inseridos os tonofilamentos e as ligações da transmembrana formados por desmogleínas.
     Na microscopia eletrônica podemos observar as tonofilbrilas que são filamentos intermediários de queratina que se ligam as placas de desmossomos (attachment plates) aumentando a adesão celular.

Elementos de adesão dermoepidermicos

     Zona de Membrana Basal ou Junção dermo-epidérmica
     A região onde a epiderme e a derme se encontram contém inúmeras proteínas e está em constante estudo. A zona da membrana Basal engloba desde a membrana inferior do queratinócito basal até a derme superficial. Apresentam 3 regiões distintas: lâmina lúcida, lâmina densa e sublâmina densa.
     A lâmina lúcida é a porção superior, cujos componentes principais são a laminina e a fibronectina, logo abaixo a lâmina densa forma o estrato principal da membrana basal que é formado principalmente por colágeno IV, na sublâmina densa a porção mais superior da derme papilar o componente principal é o colágeno VII.
     Atravessando a zona de membrana basal encontramos fibrilas de ancoragem (colágeno VII) que se prendem aos hemidesmossomos (integrinas) e formam complexos de adesão dermoepidérmica e assim fixando a epiderme.

DERME

     É o tecido conjuntivo onde se apóia a epiderme e une a pele ao tecido celular subcutâneao ou hipoderme. A derme apresenta espessura variável de acordo com a região observada. Sua superfície é irregular, observando-se saliências, as papilas dérmicas, que acompanham as reentrâncias correspondes da epiderme. As papilas aumentam a área de contato da derme com a epiderme, reforçando a união entre essas duas camadas. As papilas são mais freqüentes nas zonas sujeitas a pressões e atritos.
     A derme é constituída por duas camadas, de limites poucos distintos: a papilar (superficial), e a reticular (mais profunda).
     A camada papilar é delgada, constituída por tecido conjuntivo frouxo que forma as papilas dérmicas. Nesta camada foram descritas fibrilas especiais de colágeno, que se inserem por um lado da membrana basal e pelo outro penetram profundamente na derme. Essas fibrilas contribuem para prender a derme à epiderme.
     A camada reticular é mais espessa, constituída por tecido conjuntivo denso.
     As duas camadas possuem fibras elásticas que dão elasticidade a pele.
     A grande maioria da fibras dérmicas são de colágenos, principalmente os tipos I e III, responsáveis pelo mecanismo de resistência da pele.
     As fibras elásticas são responsáveis pela propriedade retrátil da pele, pode ser visualizadas pela coloração especial (orceina). Na papila dérmica elas são finas e na derme reticular ficam mais espessas.
     As fibras reticulínicas visualizadas com coloração especial de prata, consiste bioquimicamente em fibras de colágeno (tipos I e III) e fibronectina.
     As macromoléculas encontradas entre as fibras e células dérmicas e mais abundantemente na papila dérmica e ao redor dos anexos cutâneos. Bioquimicamente são glicoproteínas e proteoglicanas (principal componente é ácido hialurônico). Essas substâncias não são visualizadas em exames de rotina, mas são coradas pela coloração especial (alcian blue).
     Além dos vasos sanguíneos e linfáticos, e dos nervos, também, são
encontrados na derme as seguintes estruturas, derivadas da epiderme: folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudorípras.

As células da Derme

     Os fibroblastos são as células fundamentais da derme que sintetizam colágeno e fibras elásticas, além do substrato de substância fundamental amorfa. Os fibrócitos são fibroblastos pequenos e quiescentes sem atividade metabólica óbvia e são encontrados em tecidos conectivos maduros.
     Miofibroblastos são células derivadas dos fibroblastos e contém miofilamentos visíveis na microscopia eletrônica e expressa actina de músculo liso e mais raramente desmina.
     Os dendrócitos dérmicos representam uma população heterogênea de células dendríticas mesenquimais, reconhecidas principalmente por imunoistoquímica. Existem pelo menos 2 tipos as que expressam o fator de coagulação XIIIa. Eles estão presentes em volta dos capilares em volta das papilas dérmicas
     Os matócitos são células mononucleares originadas na medula óssea, são escassas e com distribuição perivascular e perianexial. Possui coloração metacromática com azul de toluidina e imuistoquimicamente pode ser identificada através dos aticorpos quimase e triptase. Como os melanócitos também expressam a proteína c-kit (CD117). Na microscopia eletrônica a membrana celular é vilosa e contém grânulos citoplasmáticos característicos.

HIPODERME

     É formada por tecido conjuntivo frouxo, que une de maneira pouco firme a derme. É a camada responsável pelo deslizamento da pele sobre as estruturas nas quais se apóia. Dependendo da região e do grau de nutrição do organismo, a hipoderme poderá ter uma camada variável de tecido adiposo que quando desenvolvida constitui o panículo adiposo. A panículo adiposo modela o corpo. É uma reserva de energia e proporciona proteção contra o frio.

Referências Bibliográficas

1) Azulay R D. Dermatologia. Guanabara Koogan, 2006 - 4ª ED.
2) Elder D Elenitsas R Johnson B Jr Ioffreda M Miller J J Miller III O F. Histopatologia da pele de Lever. Manole, 2001.
3) Phillip H McKee, J Eduardo Calonje and Scott R Granter. Pathology of the Skin. Elsevier, 005 (3rd ed).
4) Rochael M C. http://www.dermatopatologia.com.br
5) Sampaio S A P, Rivitti E A. Dermatologia. Artes Médicas, 2001.

Texto produzido em 1/03/2009


Adicionar aos favoritos Página inicial Quem Somos? Contato Aviso Legal Nós aderimos aos princípios da charte HONcode da Fondation HON Informar sobre bugs © 2012 Dermatopatologia.com all Rights Reservads. MaxWebPortal Ir para o topo da página